Operação ECO – Uma família 4x4 nas Américas
O Roteiro
Bonito, Bolívia e Perú
Saímos
de Barra Bonita dia 17 na direção de Bonito, MS. Então fomos para a Bolívia,
aonde entramos pela trilha do trem da morte. Subimos os Andes, passamos pelo
altiplano boliviano ruma à La Paz, depois o lago Titicaca e finalmente entramos
no Peru, não sem antes sermos desfalcados em US$ 40, pois ao entrar na Bolívia
não havíamos tirado carimbo de imigração e agora não queriam nos dar o de
saída, coisa de principiante. Neste país visitamos a famosa Machu Picchu,
destino de viajantes de todo o mundo. Nazca, já quase no litoral do Pacífico,
foi outro ponto bastante interessante. Mais algumas ruínas e demos nossa
entrada triunfal no Equador. Era um domingo e dia de feriado nacional; a aduana
fechada e a feira completamente tumultuada nos deram uma recepção desastrosa. Tivemos
que pagar mais US$ 50 para que o oficial de aduana viesse de sua casa para nos
atender. Ouvíamos algo sobre um tal de paro, que iria ocorrer nos dias
seguintes. Só fomos saber o que era o paro quando, no dia seguinte, fomos
tentar sair do país e todas as estradas estavam bloqueadas. Haviam fechado o
país em protesto político, o que nos barrou neste país por mais dois dias.
Cruzando o Dárien Gap
A
Colômbia foi um país que nos recepcionou muito bem. É um país mais parecido com
o Brasil, tanto que tivemos que desembolsar US$ 300 para subornar um guarda
rodoviário que dizia que tínhamos que ter um seguro obrigatório local. A
corrupção aparece na maioria dos países latinos, o que fez com que tivéssemos
mais medo de policiais do que de possíveis bandidos. Entre a Colômbia e o
Panamá não existem estradas nem qualquer tipo de trilhas, devido à floresta do
Dárien. Este é o único ponto em que a Panamericana "falha" no seu
objetivo de ligar os extremos das Américas. C9 o chamado Darien Gap, que
antigamente era resolvido com uma espécie de ferry, o Cruzeiro Express. Contávamos
com este barco pois havíamos conversado com pessoas que haviam feito este
trajeto pouco tempo antes, nos dizendo que era um serviço bom e barato. Quatro
meses antes de nossa chegada a Cartagena, onde pegaríamos o barco, o serviço
havia sido descontinuado. Apareceu aí a grande dúvida da viagem: desistimos de
chegar no Alaska e ficamos conhecendo apenas a América do Sul (o que não é
pouco) ou encarar uma exportação pelas vias normais, colocando o carro em um
navio cargueiro e gastando muito mais que o previsto. Alguns dias mais tarde
estávamos pegando a Chôla na aduana da Costa Rica.
A
partir daí o desafio de chegar no Alaska ficou mais forte, nossa vontade
cresceu e o tempo diminuiu. Tínhamos que chegar ao Alaska o mais cedo possível,
antes que a neve estragasse nossos planos.
A
América Central nos saudou com uma sucessão de fronteiras que nos deixou o
tempo todo tensos, pois são ambientes viciados, cheios de gente querendo
aproveitar a passagem dos "amigos" gringos. Nicarágua, Honduras, El
Salvador e Guatemala. Passamos rápido por estes países, sempre pensando em
nosso objetivo final, o Alaska.
No Hemisfério Norte
A
entrada no México foi complicada. Nossos vistos, retirados no consulado em São
Paulo, haviam expirados quatro dias antes de chegarmos na fronteira. Tivemos
que esperar mais dois dias para passar. Já no México, onde a presença militar é
bastante forte, seguimos rumo norte o mais rápido possível. Entramos nos EUA
pelo Texas, fomos até o litoral e em mais alguns dias estávamos no Canadá. Dali
ao Alaska foi um pulo.
Chegamos
ao Alaska dia 19 de setembro, 4 dias a mais que o planejado. Objetivo cumprido,
estávamos agora mais aliviados. Agora iríamos realmente fazer um pouco de
turismo e aproveitar os lugares lindíssimos por onde estávamos passando. Conseguimos
chegar ao Alaska no fim do verão, época na qual as árvores formam um colorido
muito bonito e, para nós, diferente. Começava a volta para casa e
Aproveitávamos o melhor possível o nosso roteiro. Fomos acompanhando as
Montanhas Rochosas, visitando vários parques nacionais como o Denali no Alaska,
Jasper e Banff no Canadá, Yellowstone, Arches, Canyonlands, Grand Canyon, Zion,
Yosemite e outros, nos EUA. Todos muito bem cuidados e protegidos, os parques
são uma atividade turística bastante difundida, gerando muito dinheiro. Aproveitamos
para conhecer algumas cidades como Las Vegas, San Francisco, Los Angeles, San
Diego e Salt Lake City, que mostram bem o modo de vida americano.
Estávamos
já com saudades de nossos hermanos latinos, e a entrada no México nos fez
sentir um pouco mais em casa. Mais US$ 20 para um guarda e percebemos que a
realidade agora era outra, a nossa realidade. Aproveitamos a Baixa Califórnia
para aprender a surfar com a prancha que ganhamos de um surfista californiano. Fomos
para a mainland, o corpo principal do México e começamos a turistar. Passamos a
Sierra Madre onde conhecemos o Canyon de Cobre, o maior do mundo. Visitamos
Zacatecas, Guanajuato e Oaxaca, cidades coloniais mexicanas. Mais turismo em
algumas ruínas pré colombianas, como Teotihuacán, Uxmal e Chichén Itzá e
finalmente uns mergulhos na região de Cancún, que tem águas maravilhosas.
Voltar é preciso
Já
fazia cinco meses que estávamos na estrada, sem nunca saber o que nos
aguardaria na próxima cidade e sempre com uma sensação de insegurança muito
grande, pois se algo saísse errado nunca tínhamos com quem contar. O cansaço já
estava visível, e então resolvemos adiantar um pouco nossa volta para casa. O
turismo que fizemos na América Central se limitou às atrações principais,
sempre procurando o que era gratuito, pois tínhamos em vista o desfalque que
levaríamos para transportar o carro do Panamá para a Colômbia e de Manaus para
o Brasil, pois é uma cidade ilhada do resto de nosso país. Passamos por Belize
e entramos pelo norte da Guatemala, onde visitamos a ruína maia de Tikal. Fomos
então para Copán, em Honduras, outra ruína. No Natal estávamos em Granada,
Nicarágua, onde aproveitamos para ver o vulcão Masaya. Na Costa Rica visitamos
o vulcão Arenal, o mais ativo do mundo, e observamos as belezas naturais deste
país pelas janelas do carro, pois a esta altura estávamos ansiosos para chegar
logo ao Panamá, onde curtimos uma prainha e começamos a maratona da passagem do
carro para a Colômbia.
Era
uma segunda feira quando começamos a analisar as alternativas que tínhamos para
o transporte. Quarta feira seria véspera de Reveillon, e duvidávamos que
iríamos conseguir passar o carro naquela semana, devido às festas e às datas
que saiam os navios. Descobrimos que o carro poderia ser enviado por avião, por
US$ 500 a mais que por navio. Terça feira a Chôla já estava voando, e nós
também. Dormimos no aeroporto em Bogotá e tentamos, sem êxito, retirar o carro
da aduana ainda na manhã de quarta. Tivemos então que esperar até sexta para,
finalmente, recuperar a Chôla. Havíamos adiantado em no mínimo uma semana nossa
volta, o que nos deixou bastante animados. Seguimos para a Venezuela, que
passamos rapidamente. Entramos no Brasil por Roraima, após 172 dias fora de nosso
país. Mesmo não sendo muito parecida com a região sudeste, a norte já faz parte
do Brasil, e o povo falando português faz realmente nos sentirmos em casa. Seguimos
até Manaus e lá ficamos sabendo que a estrada até Porto Velho estava aberta a
carros de passeio. Economizamos uma grana boa que iria cair nas mãos da máfia
dos balseiros, que domina a região. São mais de 700 Km só de mato, sem
civilização. Tivemos que dormir no meio da estrada, pois apesar de estarmos
rodando desde muito cedo ,o ritmo da viagem era muito lento devido à grande
quantidade de buracos.
A
partir de Porto Velho a comunicação terrestre com o resto do Brasil é por
estradas boas (na medida do possível) e aproveitamos para fazer um pouco mais
de turismo na Chapada dos Guimarães e no Pantanal, pois a Operação ECO já
estava no seu fim e em pouco tempo já teríamos que voltar às nossas atividades
rotineiras.
Dia
27 de janeiro estávamos chegando em Guaratinguetá, onde o pessoal do jipe clube
foi nos esperar na entrada da cidade para dali irmos a um bar botar em dia a
conversa, pois antes de contar a alguém o que você fez , a sensação que se tem
é que nada aconteceu.